Foz de Iguaçu e o

Foro de São Paulo

 Por Antonio Sánchez García

Ainda hoje, conto com os dedos de uma mão os que, próximos a mim, mostram uma pequena simpatia pelas idéias da direita
A Alejandro Peña Esclusa

A Alejandro Peña Esclusa

[dropcap]P[/dropcap]rovavelmente Jair Bolsonaro, seu filho Eduardo e os participantes provenientes de todos os países da América espanhola na primeira Cúpula Conservadora das Américas recém celebrada em Foz do Iguaçú, não saibam que a primeira voz de alarme contra o Foro de São Paulo (FSP) e seus devastadores propósitos de acabar de sovietizar o continente, assaltar o Estado de Direito de todas as nações democráticas da região e armar uma frente continental contra os Estados Unidos, emblema da liberdade e democracia no Ocidente, levantou-se desde Caracas, capital financiadora do Foro e primeiro sustento do castrismo em terra firme.

Arriscou sua liberdade e sua vida, e pagou com anos de cárcere em meio da euforia de seus compatriotas ajoelhados ante o tenente-coronel golpista e súcubo de Fidel Castro, de quem se considerava filho putativo, viajou de país em país plantando a semente do anti-castrismo, publicou às suas expensas um livro requisitório da ameaça que chegava dessa tripla aliança da devastação sob o guarda-chuva do Foro de São Paulo – Fidel Castro, Hugo Chávez e Lula da Silva – e hoje, cansado de seus então esforços vãos, cicatriza as chagas de seu apostolado. Seu nome: Alejandro Peña Esclusa.

Alejandro não o fez agora, quando esse espetacular encontro da direita conservadora se arma e inicia un colossal contra-ataque que já perfila a libertação da Bolívia, Venezuela, Nicarágua e Cuba, e construir o cordão sanitário que impeça a propagação do castro-comunismo no continente. O fez quando o comunismo começava a se apoderar de nosso petróleo, iniciava o saque de nossas riquezas e engolia as débeis resistências de uma democracia congenitamente socializante, populista e alcoviteira. Absolutamente carente dos anti-corpos contra o feitiço do sovietismo, e assediada pelos mensageiros intelectuais da praga havanera, como ficou manifesto nos “abaixo-assinantes”.

Uma sociedade na qual se declarar direitista era pouco menos que se declarar inquisidor, traidor da Pátria, de entendimento curto e inimigo da paz e da liberdade. Onde o mais capitalista dos capitalistas, o mais poderoso empresário e o mais escolástico dos clérigos se confessavam, e se confessam ainda hoje em dia, social-democratas ou social-cristãos, mas liberais ou direitistas, jamais. Não se diga “neo-liberal”, que foi o estúpido rótulo que travestiu o assassinato político que ao mais importante dos políticos venezuelanos depois de Rómulo Betancourt, Carlos Andrés Pérez, lhe custou o cargo, por centímetros sua vida, e evidentemente e para sempre sua carreira política. Para imensa e inesquecível desgraça do país que quis levar ao primeiro lugar da América do Sul.

Ainda hoje, conto com os dedos de uma mão os que, próximos a mim, mostram uma pequena simpatia pelas idéias da direita, reconhece a importância e o significado do acontecimento histórico representado pela chegada de Donald Trump à Casa Branca, deslocando os social-democratas norte-americanos das famílias Clinton e Obama do poder que vêm exercendo sobre a primeira potência do mundo, e avalie em seus justos termos a imponente vitória de Jair Bolsonaro e a cruzada que decidiu empreender para dar um giro copernicano a uma região hipnotizada pelo castrismo.

Porém, a meu amigo Alejandro Peña Esclusa lhe sucedeu o que um dos poucos amigos venezuelanos com que conto que não temeria se confessar anti-comunista, Oswaldo Álvarez Paz, declarou publicamente há algum tempo: “o pior erro reiterado uma e outra vez em sua vida política, foi ter razão antes do tempo”. Por essa razão, nestes alvores do despertar das Américas da sedução e do influxo adormecedor do canto de sereia do marxismo-leninismo e do socialismo devastador, lhe faço chegar este modesto reconhecimento.

A melhor recompensa a tantos esforços que acreditávamos perdidos é deixar-nos de auto-enganos eleitoreiros e sacudir a vergonha política e ir, com lucidez, inteligência e coragem, à agrupação, reunião e encontro das forças que se confessam consoantes com o novo amanhecer e se termine por construir um partido autenticamente de direita. Será o germe da Nova Venezuela. Já é hora.

 Nota da tradutora:

 

Como amiga pessoal desde o ano de 2001, corroboro tudo o que o grande jornalista Sánchez García escreveu sobre Alejandro Peña Esclusa. Ele foi meu mestre, quem me guiou e com quem compartilhei tantas informações e descobertas sobre o Foro de São Paulo, quando ninguém falava sobre a criminosa organização. Estivemos juntos desde então e traduzi incontáveis de seus artigos, além do livro “O Continente da Esperança”. Com ele participei de seminários, da organização UnoAmérica e acompanhei todo o processo de sua arbitrária e criminosa prisão até a liberdade condicional (casa por cárcere), cujos fatos estão documentados no meu blog Notalatina. Por tudo o que partilhamos juntos e pela comunhão de pensamentos, o incluí nos agradecimentos no meu livro “O Foro de São Paulo – A mais perigosa organização revolucionária das Américas”.

 

Tradução: Graça Salgueiro