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EIXO DO MAL: Brasil está na lista de países que violaram as sanções internacionais contra a Coréia do Norte

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Via Zero Hedge

Treze governos, incluindo Cuba, Egito, Irã e Síria, estiveram envolvidos em violações militares, que o Statista’s Martin Armstrong observa, inclusive recebendo treinamento militar da Coréia do Norte ou envolvidos na importação e exportação de equipamentos militares.

O alcance das nações envolvidas na violação das sanções não-militares é muito mais amplo.

Essas violações incluem a importação e exportação de bens e minerais sancionados ou ajudando os embarques dos navios. Outras instâncias incluem o envolvimento de empresas de frente, bem como outras atividades comerciais, como transações financeiras. A lista de nações que violam sanções  não-militares inclui China, França, Alemanha e Japão.

Outros 13 países violaram as sanções de uma maneira que parece completamente inadvertida.

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A Coreia do Norte visou países, incluindo o Canadá, a Suíça e os EUA, na tentativa de comprar equipamentos que poderiam potencialmente ter aplicações militares. Esta estratégia demonstrou ser bem sucedida no passado, com o exemplo mais famoso ocorrido na década de 1980, quando Pyongyang enganou o fabricante aeroespacial norte-americano McDonnell Douglas para obter ilegalmente 87 helicópteros civis MD-500. Os militares da Coréia do Norte modificaram-nos posteriormente para transportar mísseis anti-tanque Susong-Po e essas aeronaves ainda estão em serviço ativo hoje.

O que o Brasil compra – e o que vende – da isolada Coreia do Norte

Produtos

No ano passado, o Brasil exportou à Coreia do Norte US$ 2 milhões em produtos, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

O café torrado (47% do total) foi o principal item vendido, seguido por fumo, couros e peles, além de carne bovina desossada e congelada.

Do lado das importações, o país comprou cerca de US$ 8,7 milhões dos norte-coreanos, em sua maioria peças de computador, como placas de memória digital (41% do total).

A BBC Brasil entrou em contato com algumas empresas brasileiras listadas como exportadoras de produtos à Coreia do Norte. Duas delas afirmaram que nunca venderam ao país e não sabem como apareceram nas planilhas de comércio divulgadas pelo Mdic.

Questionado pela reportagem, o ministério afirmou, em nota, que “devem ter ocorrido erros no preenchimento no sistema”.

“Provavelmente, devido à semelhança do nome do país com ‘Coreia do Sul’ e a proximidade dos dois códigos, devem ter ocorridos erros no preenchimento de dados no sistema. Destacamos, mais uma vez, que o registro efetuado é de reponsabilidade dos operadores, exportadores e importadores e são informações de caráter declaratório”, alegou o Mdic.

A China continua sendo a principal aliada econômica da Coreia do Norte, sendo responsável por mais de 80% tanto das importações quanto das exportações do país.

Outros produtos norte-coreanos têm como destino Índia, Filipinas e Paquistão.

Na outra ponta, depois da China, a Coreia do Norte compra da Índia, Rússia e Filipinas.

Brasil mantém embaixada na capital norte-coreana, Pyongyang, desde 2009

Brasil mantém embaixada na capital norte-coreana, Pyongyang, desde 2009

Relações diplomáticas

Brasil e Coreia do Norte estabeleceram relações diplomáticas em 2001, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em 2005, o governo norte-coreano inaugurou sua embaixada em Brasília.

Quatro anos depois, foi a vez de o Brasil fazer o mesmo na capital norte-coreana, Pyongyang.

Desde julho do ano passado, contudo, a representação diplomática brasileira não tem um embaixador e é chefiada por um diplomata que exerce a função de encarregado de negócios.

Ele é único membro do corpo diplomático no posto, com exceção de oficiais de chancelaria enviados periodicamente em caráter temporário.

Além disso, diferentemente do que acontece no exterior, a embaixada do Brasil em Pyongyang não tem, entre as suas atribuições, a promoção comercial, limitando-se à “observação política in loco”.

Ajuda humanitária e cooperação técnica

Isolada do resto do mundo e prejudicada pelas sanções econômicas, a Coreia do Norte é particularmente afeita a desastres naturais e fenômenos climáticos extremos, como secas e enchentes, ocasionando a quebra de colheitas.

Por causa disso, o Brasil realizou “três iniciativas de ajuda humanitária ao país – todas por meio do Programa Mundial de Alimentos da ONU: em abril de 2010, doação pecuniária, no valor de US$ 200 mil; em dezembro de 2011, doação de 16,5 mil toneladas de milho; e, entre abril e maio de 2012, doação de 4.600 toneladas de feijão”, informou o Itamaraty.

Os dois países também já conduziram projetos de cooperação técnica.

A última missão de técnicos brasileiros à Coreia do Norte foi realizada em 2010, seguida, em 2011, por uma missão norte-coreana integrada por quatro técnicos, que receberam treinamento sobre plantio de soja na Embrapa em Piracicaba e Londrina.

De acordo com o Itamaraty, recentemente, o governo norte-coreano solicitou um novo projeto de cooperação técnica com o Brasil na área de capacitação de técnicos para manutenção de maquinário agrícola.

“A referida iniciativa tem sua viabilidade sendo considerada pelo Itamaraty e pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), haja vista seu propósito humanitário de contribuir para a segurança alimentar do país”, acrescentou o órgão.

Coreia do Norte pede que Brasil e América Latina não rompam relações como quer os EUA

A Coreia do Norte condenou neste sábado o pedido dos Estados Unidos para que países da América Latina rompam as suas relações diplomáticas e econômicas com a Coreia do Norte, alegando que isso viola as leis internacionais.

Na última quarta-feira, o vice-presidente estadunidense Mike Pence esteve em Santiago (Chile) e pediu que Brasil, Chile, México e Peru rompessem as suas relações com Pyongyang. Para o republicano, é preciso aumentar a pressão sobre o regime de Kim Jong-un.

“É necessário que o regime de Pyongyang entenda que todas as opções estão sobre a mesa”, disse Pence em uma coletiva de imprensa conjunta com a presidente do Chile, Michelle Bachelet. Horas depois, o Brasil informou que não comentaria o pedido.

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores norte-coreano informou à agência de notícias estatal KCNA que a solicitação feita por Pence aos países latino-americanos é uma intervenção em assuntos internos de Estados soberanos, além de ser uma violação das leis internacionais.

“Esse comportamento coercitivo mostrou um extremo egoísmo e arrogância dos Estados Unidos, buscando obter benefícios ao sacrificar todas as outras partes do mundo”, disse o porta-voz, respondendo a uma pergunta de um repórter da KCNA.

O porta-voz pediu então aos países latino-americanos que rejeitassem a demanda dos EUA, sob pena de correrem um risco iminente.

“Todos os países se tornarão vítimas de intervenções nos Estados Unidos em assuntos domésticos, se eles cumprirem ou aprovarem tácitamente as sanções do UNSC patrocinadas pelos Estados Unidos”, completou.

O funcionário norte-coreano acrescentou que Pyongyang irá avançar suas relações amigáveis com muitos países do mundo, com base na ideologia da auto-confiança, da paz e da amizade.

Também à KCNA, outro porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Coreia do Norte não identificado também criticou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, por ter dito que a causa da tensão escalada na Península da Coreia é Pyongyang.

“Recentemente, o secretário-geral da ONU fez uma observação absurda de que o agravamento da tensão na península foi causado pelo desenvolvimento nuclear e míssil da RPDC [Coreia do Norte]. Sua observação não passa de uma revelação de sua ignorância sobre a essência do problema nuclear. Para deixar claro, a causa fundamental do problema nuclear e o círculo vicioso do agravamento da situação é a política hostil dos EUA e suas ameaças nucleares contra a RPDC”, avaliou o porta-voz.

Há duas semanas, o Conselho de Segurança da ONU impôs duras sanções contra a Coreia do Norte em função dos seus programas militares, sendo que tais medidas podem causar um impacto em até um terço da exportações de Pyongyang. A meta é que, com tal impacto, o regime aceite negociar com a comunidade internacional.

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