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CODEX ALIMENTARIUS: A história da tirania alimentar

Codex Alimentarius, FAO e a WHO são acusadas de terem ligações nazistas

Brandon Turbeville, publicado no Activist Post – 17/10/2010

Tradução de Daniel Bastos e Julio Peres

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Contrário à crença popular, o Codex Alimentarius não é uma lei nem uma política. De fato é um corpo politico funcional, uma comissão, criada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura(FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) sob direção das Nações Unidas (ONU). A confusão sobre este assunto se dá por causa de declarações de críticos que se referem a “implementação” do Codex Alimentarius como se existisse uma legislação, esperando para entrar em prática. Uma frase mais precisa seria “implementação” das diretrizes do Codex Alimentarius,” assim descrevendo a situação mais adequadamente.

O Codex é uma mera ferramenta no baú de uma elite, grupos de indivíduos cujos objetivos são criar um governo mundial no qual eles terão controle completo. Poder sobre o estoque de comida é essencial para atingir esse objetivo. Como será discutido posteriormente, Codex Alimentarius será “implementado” quando as diretrizes estiverem estabelecidas e os governos começarem a formular suas leis domésticas de acordos com as normas ditadas pelas organizações.

A existencia do Codex Alimentarius como um orgão legislador tem suas raízes que datam de 100 anos atrás. O próprio nome Codex Alimentarius, que em latim significa “Código Alimentar” é descendente direto do Codex Alimentarius Austriacus, uma ordem de medidas e descrições das variedades de comidas do Império Austro-Hungáro entre 1897 e 1911. Esta Ordem de medidas foi uma ideia original da indústria alimentícia e da academia, e foi usado pelas cortes para determinar a identidade dos alimentos dentro dos ditames jurídicos.

Já em 1897 as nações estavam sendo pressionadas para criar uma harmonização das leis nacionais por uma série de leis internacionais que reduziriam as “barreiras ao comercio”, criada por diferenças nas leis nacionais. Enquanto o Codex Alimentarius Austriacus ganhou força na Áustria, a ideia de ter um único sistema de regras para toda Europa começou a ter força Também. De 1954 a 1958, a Áustria prosseguiu de forma bem sucedida com a criação do Codex Alimentarius Europaeus (o Codex Alimentarius Europeu). Quase imediatamente, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), dirigida pela ONU, entrou em ação quando a Conferência Regional da FAO para a Europa expressou o desejo de um conjunto de padrões internacionais de alimentos. A Conferência Regional da FAO enviou uma proposta à cadeia de comando para a própria FAO, com a sugestão de criar um programa conjunto FAO / OMS sobre padrões alimentares.

No ano seguinte, o Codex Alimentarius Europeaus aprovou uma resolução de que o seu trabalho sobre normas alimentares seja assumido pela FAO. Em 1961, foi decidido pela OMS, o Codex Alimentarius Europaeus, a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Conferência da FAO para criar um programa internacional de padrões alimentares conhecido como o Codex Alimentarius. Em 1963, como resultado das resoluções aprovadas por essas organizações dois anos antes, o Codex Alimentarius foi criado oficialmente.

Embora tenha sido criado sob os auspícios da FAO e da OMS, há alguma controvérsia sobre indivíduos que podem ou não ter participado do estabelecimento do Codex. Muitas organizações anti-Codex afirmaram que os criminosos de guerra nazistas, Fritz Ter Meer e Hermann Schmitz em particular, eram os principais arquitetos da organização. Como muitas dessas reivindicações são feitas com apenas provas indiretas, ou nenhuma evidência, alguns podem se sentir tentados a ignorá-las à primeira vista. Entretanto, como as alegações ganham mais e mais adeptos, o Codex tentou refutá-los. Na sua seção de perguntas freqüentes, o Codex responde a pergunta:

“É verdade que o Codex foi criado por um ex-criminoso de guerra para controlar o abastecimento
mundial de alimentos?”
Em seguida, ele responde a pergunta afirmando:

Não. É uma afirmação falsa. Basta que você digite as palavras “Codex Alimentarius” em qualquer mecanismo de pesquisa e você encontrará muitos desses rumores sobre o Codex. Normalmente, as pessoas que os espalham não darão nenhuma prova, mas solicitarão o envio de doações ou a assinatura de petições contra o Codex.

Ou

Informações verdadeiras sobre o Codex são encontradas na Internet – não há nada a esconder do nosso lado – somos uma instituição pública trabalhando em público para o público – estamos felizes se as pessoas desejam saber mais sobre o nosso trabalho e fazer perguntas. Existe um ponto de contato oficial do Codex em cada país membro que terá o prazer de responder às suas perguntas sobre o Codex.

Mas, como se pode ver na afirmação acima, a réplica do Codex é muito pouco convincente em responder esta questão além de simplesmente discordar dela. Embora seja verdade que muitos indivíduos que fazem essa afirmação fornecem poucas evidências disso, a apresentação da informação não necessariamente nega a sua veracidade. Na verdade, o Codex oferece seu próprio site como fonte de informações precisas sobre a organização; no entanto, além da seção de perguntas frequentes, não há nada a ser encontrado que seja relevante para as alegações de “crimes de guerra”. Além disso, o sitecodexalimentarius.net é praticamente indecifrável, quase ao ponto de ser completamente inútil. No final, essa resposta levanta mais perguntas do que responde.

Isso porque o Codex, se quisesse, poderia desacreditar esses rumores, simplesmente publicando uma lista de indivíduos e organizações que financiaram ou desempenharam um papel integral na sua criação. No entanto, não faz nada disso.

Além de mencionar a FAO e a OMS, desconhecemos completamente quem ou quantos outros indivíduos e organizações participaram da criação do Codex Alimentarius.

As alegações sobre os “criminosos de guerra” estão centradas em torno do conglomerado químico conhecido como I.G. Farben. A I.G. Farben era composta por várias empresas químicas alemãs, incluindo a BASF, a Bayer, a Hoechst e a AGFA (que se fundiram). Era essencialmente a ala de fabricação do Terceiro Reich e era o motor por trás da máquina de guerra nazista. A empresa forneceu a maior parte dos explosivos e gasolina sintética utilizados para a conquista militar e o assassinato de milhões.

Também fabricou o, hoje famoso, gás Zyklon-B usado nas câmaras de gás. Não só isso, mas foi influente na realização de experimentos nas vítimas dos campos de concentração. Na verdade, as vítimas dos campos de concentração foram muitas vezes compradas diretamente a pedido da empresa para fins expressos de testes por vários ramos diferentes do conglomerado, em particular a Bayer e a Hoechst.

Sem a I.G. Farben, as guerras alemãs simplesmente não poderiam ter sido sustentadas. Durante os julgamentos de guerra de Nuremberg, o tribunal condenou 24 membros do conselho e executivos da empresa e dissolveu-o em várias empresas filhasdiferentes. Ou seja, BASF, Hoechst (mais tarde conhecido como Aventis) e Bayer. Em 1951, praticamente todos os 24 desses executivos foram libertados, incluindo Fritz Ter Meer e Hermann Schmitz. Ter Meer havia sido membro do comitê executivo da I.G. Farben de 1926 a 1945 e também membro do comitê de trabalho e do comitê técnico, bem como diretor da infame Seção II. Ele também foi o embaixador na Itália com o poder total do Ministro do Reich para armamentos e produção de guerra e foi o industrial com maior responsabilidade por Auschwitz. Schmitz também foi membro do Comitê executivo da I.G. Farben de 1926 a 1935, e foi presidente do conselho e “chefe das finanças” de 1935 a 1945. Ele também era chefe de economia militar e membro do partido nazista. Ambos os homens foram declarados culpados pelo tribunal de guerra de Nuremberg em 1948, mas Schmitz foi libertado em 1950 e Ter Meer em 1952.

Depois de tudo isso, Schmitz foi nomeado membro do conselho do banco alemão de Berlim Ocidental e em 1952 e em 1956, o presidente honorário do conselho das siderúrgicas do Rheinish. Ter Meer, no entanto, foi ainda mais bem sucedido. Após a sua libertação, ele foi nomeado membro do conselho da Bayer em 1955 e, em 1956, foi nomeado presidente da empresa. Nos anos seguintes, ele assumiria vários papéis adicionais, como o presidente do conselho da Theodore Goldschmidt AG, vice-presidente do conselho de administração do Commerzbank e Bank-Association AG, bem como um membro do conselho do Waggonfabrik Uerdingen, Duesseldorger Waggonfabrik AG, associação bancária da Alemanha Ocidental e a United Industrial Enterprises AG. Estas são conexões documentadas para ambos os homens. De fato, as conexões de Ter Meer com a empresa farmacêutica Bayer lhe renderam uma fundação nomeada em sua honra, a Fundação Fritz Ter-Meer. Por tudo isso, no entanto, este escritor não pôde confirmar que Ter Meer ou Schmitz tiveram conexões diretas com a criação do Codex Alimentarius.

No entanto, o Codex não faz nada para dissipar as alegações, além de simplesmente discordar delas, as conexões não são nadaimprováveis. O Codex é muito secreto sobre seu começo, como evidenciado em seu site, onde apenas afirma que foi criado a pedido da FAO e da OMS. É altamente improvável que tal organização tenha sido criada sem a assistência, insumos e até financiamento de empresas internacionais de propriedade privada. Graças à comunidade anti-Codex e ao próprio Codex Alimentarius, não há provas (novamente pelo menos para este autor) que documentam quais indivíduos ou empresas estiveram envolvidos em seu estabelecimento. No entanto, existem outros laços que dão mais credibilidade à crença de que os criminosos de guerra desempenharam um papel na criação do Codex.

[1] Tips, Scott C. “Codex Alimentarius: Global Food Imperialism.” FHR. 2007. P. ii.
[2] “Opening Statement by Dr. B.P. Dutia Assistant Director- General Economic and Social Policy Department, FAO to the Nineteenth Session of the Codex Alimentarius Commission.”
Food and Agricultural Organization. July 1, 1991. http://www.fao.org/docrep/meeting/005/t0490e/T0490E04.htm
See also, Taylor, Paul Anthony. “Codex Guidelines for Vitamins and Minerals – Optional or Mandatory?” Dr.Rath Health Foundation. http://www4.dr-rathfoundation. org/features/codex_wto.html
[3] “Codex Alimentarius: how it all began.” Food and Agricultural Organization. http://www.fao.org/docrep/v7700t/v7700t09.htm Accessed April 23, 2010.
[4] “Understanding the Codex Alimentarius.” World Health Organization. Food and Agricultural Organization. 2006. P.7 http://www.scribd.com/doc/25710873/WHO-Understanding-the-Codex-Alimentarius Accessed April 23, 2010.
[5] Tips, Scott C. “Codex Alimentarius: Global Food Imperialism.” FHR. 2007. P.ii
[6] “The History of the ‘Business With Disease.’” Dr. Rath Health Foundation. http://www4.dr-rathfoundation.org/PHARMACEUTICAL_BUSINESS/history_of_the_pharmaceutical_industry.htmAccessed April 26 <http://www4.drrathfoundation.org/PHARMACEUTICAL_BUSINESS/history_of_the_pha
rmaceutical_industry.htm%20Accessed%20April%2026> , 2010.
[7] Minton, Barbara. “Codex Threatens Health of Billions.” Naturalnews. July 30,
2009. http://www.naturalnews.com/026731_CODEX_food_health.html
[8] “FAQs – Rumours” CodexAlimentarius.net http://www.codexalimentarius.net/web/faq_rum.jsp#R1 Accessed April 26, 2010.
[9] Ibid.
[10] Behreandt, Dennis. “The crimes of I.G. Farben: during WWII, I.G. Farben, a synthetic-fuels manufacturer for the German war machine, was a major supporter of the Nazi regime and a willing co-conspirator in the Holocaust.” The New American. November 27, 2006. http://findarticles.com/p/articles/mi_m0JZS/is_24_22/ai_n24996865/ Accessed April 26, 2010.
See also, “The Documentation About ‘Codex Alimentarius.’” Dr. Rath Health Foundation. http://www4.dr-rathfoundation.org/PHARMACEUTICAL_BUSINESS/health_movement_against_codex/health_movement24.htm Accessed April 26, 2010.
[11] “The History of the ‘Business With Disease.’” Dr. Rath Health Foundation. http://www4.dr-rathfoundation.org/PHARMACEUTICAL_BUSINESS/history_of_the_pharmaceutical_industry.htmAccessed April 26 <http://www4.drrathfoundation.org/PHARMACEUTICAL_BUSINESS/history_of_the_pha
rmaceutical_industry.htm%20Accessed%20April%2026> , 2010.
[12] Ibid.
[13] Weimbs Lab: Molecular, Cellular and Developmental Biology University of California, Santa Barbara. http://www.lifesci.ucsb.edu/mcdb/labs/weimbs/people/weimbs/index.html Accessed April 27, 2010. Dr. Thomas Weimbs received a scholarship from the Fritz ter Meer Foundation in 1988.

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