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Sejamos honestos: o discurso de Trump, nas Nações Unidas, foi um desastre

 

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Cliff Kincaid

Tradução de Luciano Alves Teixeira

20/09/2017

Disponível em: http://americasurvival.org/2017/09/lets-be-honest-trumps-u-n-speech-was-a-disaster.html#axzz4tNgBgiN1

 

O presidente Trump em seu discurso, nas Nações Unidas (ONU), não mencionou que a Rússia e a China são as responsáveis pelo programa de armas nucleares da Coréia do Norte. Pior, Trump, na realidade, agradeceu a Rússia e a China por terem ajudado a restringir, de alguma forma, as ações da Coréia do Norte através da ineficiente ONU.

 

O presidente da “América Primeiro” disse: “O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou recentemente dois votos unânimes, de 15 a 0, tendo adotado severas resoluções contra a Coréia do Norte, e gostaria de agradecer a China e a Rússia pela adesão à votação para impor sanções, juntamente com todos dos outros membros do Conselho de Segurança. Obrigado a todos os envolvidos.”

 

Trump deveria ter denunciado a China e a Rússia, por terem viabilizado a Coreia do Norte como potência nuclear. Então, ele deveria ter anunciado a retirada dos EUA “Da Casa que Hiss1 construiu”.

 

O Dr. Peter Vincent Pry, que foi chefe de gabinete da Comissão EMP2 do Congresso e que atuou na CIA, ressalta: “Há muitos exemplos de transferências de tecnologia da Rússia e da China para a Coréia do Norte; provando que, esses países, ajudaram a acelerar os programas de mísseis nucleares de Pyongyang. A ameaça de míssil nuclear da Coréia do Norte baseia-se na tecnologia russo-chinesa”.

 

Então, Trump agradece aos russos e aos chineses, por fazerem da Coréia do Norte uma ameaça — detentora de armas nucleares — que pode levar o Mundo à beira de uma guerra atômica?

 

Severas resoluções? É ruim o suficiente para termos ficado na ONU, depois de termos descoberto que seu fundador e seu Secretário-Geral interino Alger Hiss, era um agente e espião soviético. Agora, esta organização que, Trump diz que foi fundada em “objetivos nobres” trouxe o Mundo ao ponto de guerra. Neste caso, as apostas envolvem a vida de dezenas de milhões de americanos e sul-coreanos.

Os conservadores, aparentemente, estão tão acostumados a ver os interesses americanos esgotados por políticos como Barack Hussein Obama que, cumprimentaram o discurso “duro” de Trump na ONU. Sendo que, na verdade, ele foi, notoriamente, brando com a Rússia e a China.

 

Foi divertido para Trump falar sobre as falhas do socialismo e do comunismo, exceto pelo fato da China ter aperfeiçoado um sistema de controle e expansão do Partido Comunista, financiado pelo capitalismo ocidental. O resultado é uma superpotência comunista emergente, que está dirigindo uma aliança de países anti-americanos, conhecida como BRICS e quem tem buscando seu próprio aparato de comércio global, a iniciativa de desenvolvimento de um “Belt and Road”3, financiada por uma moeda mundial diferente do dólar.

 

Por falar nisso, o atual Secretário-Geral da ONU, António Guterres, é ex-líder da Internacional Socialista. E, no entanto, Trump bateu no socialismo enquanto o parabenizava por liderar a luta pela “reforma da ONU?” Trump realmente acredita nisso? Ele espera que acreditemos nisso?

 

Continuar a perder dezenas de bilhões de dólares, na maior parte americanos, na ONU e em nome da “reforma” é uma coisa. Preparar o palco para o assassinato em massa, de milhões de americanos, ao fingir que a ONU irá fazer algo sobre isso, é outra coisa.

 

Pry observa: “A última evidência, de que o programa de mísseis nucleares da Coréia do Norte está recebendo ajuda da Rússia e da China, é o teste da bomba H que foi bem sucedido em 2 de setembro… O resultado produzido, pela bomba H norte-coreana, foi estimado — pela comunidade de inteligência dos EUA — em 120 kilotons (160 kilotons de acordo com o Japão), ou cerca de 12-16 vezes mais poderoso do que a bomba A de Hiroshima, comparável ao poder das bombas H, de dois estágios, dos Estados Unidos”.

 

Ele acrescenta: “Infelizmente, a própria descrição da Coreia do Norte sobre suas capacidades de mísseis nucleares tem consistentemente sido mais confiável do que as estimativas das agências de inteligência dos EUA. Essas estimativas têm assumido, erroneamente, que a Coréia do Norte está trabalhando por conta própria, sem a ajuda da China e da Rússia”.

 

A situação, portando, é provavelmente pior do que aquilo que nos é dito. Quantas falhas de inteligência sofremos, através de uma nação, antes de concluirmos que a incompetência constitui traição?

 

O objetivo final da aliança comunista-muçulmana, como explicamos em nosso livro The Sword of Revolution4, é a destruição dos Estados Unidos e de Israel. Enquanto isso, eles pretendem neutralizar a Coréia do Sul, como um aliado dos EUA, e integrar a nação livre em uma Coréia sob a dominação comunista. Esse tem sido seu objetivo o tempo todo. Eles tentaram militarmente. Agora, eles vão fazer isso diplomaticamente.

 

Trump disse: “É hora de a Coreia do Norte perceber que a desnuclearização é o único futuro aceitável”. Já é passada a hora. Uma verdadeira política “América Primeiro”, como observado por Pry, é que “não podemos viver com uma Coréia do Norte com armas nucleares, porque algum dia o regime do mal em Pyongyang vai cair e eles irão querer nos arrastar, para a escuridão. Devemos atacar e desarmar a Coréia do Norte enquanto ela possui alguns poucos ativos nucleares, que podem ameaçar as cidades dos EUA, e antes que seja tarde demais”.

 

A alternativa oferecida, por Trump, é permanecer sob a ameaça de chantagem nuclear da Coréia do Norte comunista e seus aliados e então retaliar, após milhões de americanos já estarem mortos. Essa é a ameaça em que estamos enfrentando agora. E temos a Rússia, a China e a administração Obama para “agradecer”, por essa terrível situação.

 

Com base no que ouvimos, no discurso de Trump na ONU, o conselho de Pry não será adotado.

 

A “desnuclearização” pode, de fato, ocorrer; mas, sob um plano arquitetado pela China comunista e pela Rússia e apoiado pelos mesmos agentes, do Deep State, que permitiram uma Coréia do Norte com poder nuclear.

 

O plano foi apresentado no livro de Selig S. Harrison, Korean Endgame: A Strategy for Reunification e US Disengagement.5

 

A última palavra nesse título, “desvinculação”, é a chave. Os EUA se desvincularão, deixando o regime [comunista] norte-coreano em vigor e a Coréia do Sul à mercê dos aliados da Coréia do Norte. O livro, publicado em 2002, perguntou: “Deveriam os Estados Unidos sair da Coréia, de uma vez por todas?” Demorou um tempo, mas a resposta está sobre nós.

 

Quando um presidente do “América Primeiro”, igual a Trump, agradece à Rússia e à China e à ONU, por um desastre na península coreana, você sabe que estamos em sérios problemas.

 

O Japão será o próximo aliado, dos EUA, a ser abandonado. Terá que rearmar-se e rapidamente.

 

No Oriente Médio, Israel terá que considerar as conseqüências. Trump fala muito sobre o Irã, mas o acordo nuclear iraniano, ainda, está em vigor.

 

A diferença entre a Coréia do Sul e Israel é que Israel tem armas nucleares. Essa é uma grande diferença. Poderia fazer toda a diferença no Mundo — para a sobrevivência de Israel.

Quanto aos Estados Unidos, líderes militares honestos americanos estão vendo ameaças do mundo “multipolar” e “multi-domínio” que emergem da Rússia, China, Coréia do Norte, Irã e outros. Podemos ser muito fracos, para salvarmos a nós mesmos. Enquanto isso, os conselheiros militares de Trump estão enviando mais milhares de tropas americanas, para a guerra sem vitórias no Afeganistão, onde a Rússia está armando os talebãs e matando os nossos soldados.

 

Ainda assim, Trump agradece à Rússia, pela votação, de outra resolução sobre a Coréia do Norte; apenas, a mais recente de uma série de proposições ineficazes da Organização Mundial [ONU].

 

O primeiro assessor de Segurança Nacional de Trump, o tenente-general reformado Michael T. Flynn, reconheceu os perigos. Ele falou sobre uma “aliança inimiga” contra a América. Ele queria limpar os traidores, das Agências de Inteligência. É por isso que, Flynn foi forçado a demitir-se, depois de um vazamento do Deep State, e ele está tendo que arcar com várias despesas processuais, referentes à “investigação” do caso Russia-gate, comandada pelo procurador-especial Robert S. Mueller. É uma sondagem que, em última instância, visa o próprio Trump.

 

Os partidários de Trump precisam ser honestos. “América Primeiro” parece bom, mas só mascara o nosso acentuado declínio. O seu discurso, na ONU, animou alguns membros de sua base — ansiosos por carne vermelha —; mas, na realidade, simboliza a tentativa de uma trégua com o Deep State, na esperança de que lhe seja permitido cumprir o seu mandato.

 

Estamos entrando em um período da história, no qual só podemos esperar e rezar para que um louco comunista não elimine os nossos concidadãos, em um maciço ataque nuclear. Nossas próprias vidas, agora, estão na balança, enquanto Trump tenta salvar sua própria pele.

 

Deus, realmente, abençoe a América.

 

_____

 

Notas

 

1 Alger Hiss (Baltimore, 11 de novembro de 1904 — Nova Iorque, 15 de novembro de 1996), formado em Direito por Harvard, ocupou postos no Governo Americano, tendo sido alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA e espião soviético, além de ter sido um dos fundadores da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1950, foi condenado por perjúrio e espionagem, após ter sido denunciado, em 3 de outubro de 1948, por Whittaker Chambers, um ex-mebro do Partido Comunista Americano.

2 A Comissão de Avaliação da Ameaça de Ataque de Pulso Eletromagnético dos Estados Unidos, em inglês: The Commission to Assess the Threat to the United States from Eletromagnetic Pulse (EMP) Attack, foi instituída pelo Congresso Americano, por meio da Public Law 106–398, em seu Título XIV, Seção 1401-1409, de 30 de outubro de 2000. A Comissão teve prazo determinado de atuação, de 60 (sessenta) dias, conforme disposto na Seção 1409, contados a partir da submissão do relatório ao Congresso.

3 The Belt and Road Initiative (BRI), é uma iniciativa e uma estratégia que foi proposta por Xi Jiping, atual presidente da China, visando uma maior integração, especificamente, da econômica do Bloco Eurasiano, mas, também, dos países do chamado Sul Global. O BRI tem por finalidade revitalizar a “Rota da Seda”. Mas, o real intento é neutralizar a hegemonia dos EUA no cenário global.

4 Sem tradução para o português. KINCAID, Cliff. The Sword of Revolution and the Communist Apocalypse. Owings: America’s Survival, 2015. 146 p. ISBN 978-1515257608.

5 Sem tradução para o português. HARRISON, Selig S. Korean Endgame: A Strategy for Reunification e US Disengagement. Princeton: Princeton University Press, 2002. 448 p. ISBN 978-0691116266.

 

Referências

 

ESCOBAR, Pepe. Putin, Xi Jinping e parceiros na Nova Rota da Seda. Carta Maior, Internacional,  [S.l.], 16 maio 2017. Disponível em: <http://www.cartamaior.com.br/includes/controller.cfm?cm_conteudo_id=38105>. Acesso em: 22 set. 2017.

 

KINCAID, Cliff. The U.N. is the “House that Hiss Built”. America’s Survival, 31 Aug. 2015. Disponível em: <http://americasurvival.org/2015/08/the-u-n-is-the-house-that-hiss-built.html#axzz4tNgBgiN1>. Acesso em: 22 set. 2017.

 

UNITED STATES OF AMERICA. Public Law n. 106-398 (Tit. XIV, Sec. 1401-1409), Oct. 30, 2000. To authorize appropriations for fiscal year 2001 for military activities of the Department of Defense, for military construction, and for defense activities of the Department of Energy, to prescribe personnel strengths for such fiscal year for the Armed Forces, and for other purposes. Disponível em: <https://www.gpo.gov/fdsys/pkg/PLAW-106publ398/html/PLAW-106publ398.htm>. Acesso em: 22 set. 2017.

 

WIKIPEDIA: the free encyclopedia. Alger Hiss. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Alger_Hiss>. Acesso em: 22 set. 2017.

 

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  • Luciano Alves Teixeira

    Muito obrigado. A minha contribuição é sincera e é uma demonstração de gratidão pelo trabalho da RÁDIOVOX e de seus colaboradores.

  • Raimundo Bastos

    Valeu Obama, por ter escondido do povo americano o propósito de aniquilar a civilização judáico cristã e mandar a conta para o seu sucessor! Mesmo assim, o bem prevalecerá ante o mal que vc construiu.

  • jorge santos

    Será que Trump não sabe mesmo quem financiou, e financia a escalada nuclear da CN? Sem muito estudo ou leitura, o brasileiro médio já sabia disso, que dirá Trump e todos os aparatos de espionagem e segurança americanos. Claramente, ele não quer comprar uma guerra contra todos, o que seria uma catástrofe global, mas apenas mandar um recado e, com certeza, Rússia e China entenderam muito bem as palavras de Trump. Obedece quem tem juízo!

    • Gesse Gonçalves

      Sabe ele sabe , o complicado e falar isso

    • Nilton Oliveira

      Jorge, acho que você resumiu tudo o que eu queria falar.

  • Aaron DiBona

    parabens vox pelos 4 anos, parabens