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VIDE VERSUS: Chega de lixeiras no Brasil

Empresário petroleiro do lixo usa lobista de Porto Alegre para instalar sua lixeira em Glorinha

Por Vitor Vieira

O jatinho EMB Phenom 300, prefixo PT PVH, da empresa lixeira Estre, tem levado vereadores de cidades da Grande Porto Alegre a Curitiba para visita ao aterro sanitário do Centro de Gerenciamento de Resíduos Iguaçu – localizado no município de Fazenda Rio Grande, na Avenida Nossa Senhora Aparecida, 3188 – bairro Santa Terezinha.
É um aterro que recebe resíduos classes IIA e IIB e solo contaminado por hidrocarboneto. A visita e viagem é organizada por advogado lobista de Porto Alegre, O terreno já foi comprado em Glorinha pela Estre e há um projeto de instalação de aterro sanitário tramitando na Fepam (Fundação de Meio Ambiente).
Atualmente o mercado de aterros sanitários no Rio Grande do Sul é dominado pelo Grupo Solvi que, apenas no aterro de Minas do Leão, recebe o lixo de Porto Alegre (cerca de 1.200 toneladas por dia) e de mais cerca de 150 municípios gaúchos.
A lixeira Estre quer abocanhar o mercado do grupo Solvi, dono do aterro sanitário de Minas do Leão, por meio da empresa atualmente denominada CVRV – Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos, associação do Grupo Solvi com a antiga proprietária do aterro, a SIL Soluções Ambientais, empresa controlada do Grupo Copelmi, dos irmãos Cesar e Carlos Farias). O projeto do advogado lobista, que é “vendido” ao empresário petroleiro Wilson Quintela Junior, dono da Estre, é alimentar o aterro de Glorinha também com a transferência do lixo do aterro da zona norte de Porto Alegre, localizado na cabeceira da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Isso é uma demência, porque exigiria uma tremenda operação logística e um custo absolutamente impagável para a prefeitura de Porto Alegre.
Naturalmente, o empresário petroleiro Wilson Quintela Junior (tremendamente envolvido nas investigações da Operação Lava Jato, e que emprega o operador do porquinho petista Antonio Palocci, seu antigo chefe de gabinete na prefeitura de Ribeirão Preto e no Ministério da Fazenda, Jucelino Dourado) pretende obter o contrato do lixo de Porto Alegre, assim como o de Curitiba, cuja licitação encontra-se em andamento.
Alguém tem dúvida de que a licitação da capital paranaense é de cartas marcadas, e deve ficar com a Estre? Com a aquisição das operações de Porto Alegre e Curitiba, o empresário “petroleiro” (de “Petrolão do PT”) Wilson Quintela Junior pretenderia aumentar em cerca de 2,5 bilhões de reais o patrimônio de sua empresa (valor dos contratos, contabilizados como ativos). E assim valorizaria muito o montante de sua saída da nova empresa contratada com fundo americano, dentro de um ano.
Com toda certeza a SEC (U.S. Securities and Exchange Commission – a Comissão de Valores dos Estados Unidos) não tem a menor noção do que ocorre no mundo do lixo brasileiro e quem são os personagens envolvidos. Se soubesse não permitiria a operação de títulos do fundo que se associou com a Estre, por meio de sua compra.
De qualquer maneira, o futuro da Estre é curto, ela deverá ser saneada e cortada em pedaços para ser vendida com grande lucro. É dessa maneira que o fundo americano remunera os seus investidores. (na foto, acima, cava do aterro sanitário da Estre no município de Fazenda Rio Grande, na Grande Curitiba; a outra foto é do jatinho da Estre, pilotado pelo próprio empresário Wilson Quintela Filho, que aterrissou em Porto Alegre na tarde do dia 26 de julho; na noite do mesmo dia ele jantou na casa do advogado lobista na Zona Sul de Porto Alegre).
TONEIS_BASE_VALA 7_UTRESA (1)
Na foto publicada nesta nota pode-se verificar que a famigerada Vala 7, do lixão industrial Utresa, localizado em Estância Velha, município da Grande Porto Alegre, é formada por tonéis cujo conteúdo é totalmente desconhecido pelas autoridades ambientais gaúchas e também pela intervenção judicial, para recomposição de danos ambientais, a que foi submetida a “empresa” (na verdade, ela não é uma empresa, é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, sem fins lucrativos; não tendo fins lucrativos, não é uma empresa). A Utresa responde a processo por ter causado o envenamento das águas do rio dos Sinos, que resultou em uma mortandade de quase 90 toneladas de peixes , em novembro de 2006 (quase cinco anos atrás). Durante um dos tantos desbarrancamentos sofridos pela Vala 7 da Utresa (uma enorme mesa de detritos industriais, de mais de 40 metros de altura), ficou exposta a sua base em uma das cabeças da “mesa” (Vala 7). A foto foi registrada nessa oportunidade, quando o desbarrancamento estava sendo recomposto. No inquérito policial da mortandade dos peixes, realizado pela delegacia de polícia civil de Sapucaia do Sul, em 2006, uma das testemunhas ouvidas disse que a Vala 7 tinha recebido conteineres originários da Europa, que haviam sido descarregados no pier paraguaio do porto paranaense de Paranaguá. Os tais contêineres, conforme a testemunha, tinham sido enterrados inteiros, fechados, conforme haviam chegado da Europa. O que continham esses conteineres para serem enterrados fechados? O que contêm os mais de 200 mil tonéis enterrados na famigerada Vala 7 da Utresa? Uma das testemunhas no inquérito policiial afirmou que os tonéis continham óleo ascarel. Esse óleo é banido pelas normas ambientais, por ser cancerígeno e carcinogênico. Era o óleo usado para refrigeração de transformadores de energia de todo porte. No Brasil, o óleo ascarel só pode ser recebido pelas instalações da Rhodia, no Rio de Janeiro. E as exigências ambientais e de segurança para o seu transporte são muito grandes e custosas. Isso poderia explicar que tivesse sido enterrados clandestinamente, e ilegalmente, na famigerada Vala 7 do lixão industrial da OSCIP Utresa. Mais do que isso, encerrou-se a intervenção judicial na Utresa sem que fossem verificados eventuais danos ao subsolo e águas do lençol freático abaixo da famigerada Vala 7. Mesmo com todas as evidências, ninguém fez um movimento sequer, até hoje, para investigar a famigerada Vala 7. Os ambientalistas gaúchos mantêm um silêncio constrangedor sobre o local, assim como o Ministério Público e o Tribunal de Contas. Este Tribunal de Contas, aliás, recusou no seu Plenário de sete conselheiros uma denúncia formal pedindo auditoria extraordinária operacional nos processos de licenciamento ambiental dos lixões industriais na Fepam (Fundação Estadual do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul). A alegação apresentada pelo atual presidente do TCE, conselheiro Cesar Miola, foi a mais singela: o TCE não tinha, e não tem, capacidade, experiência e gente especializada para promover a auditoria extraordinária operacional na Fepam. Ora, para resolver esse impasse era muito fácil: bastava contratar gente especializada necessária no mercado, por tempo necessário à realização das auditorias. Dinheiro é o que não falta para o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul. Com tudo isso, os gaúchos da região metropolitana de Porto Alegre podem estar todos esses anos consumindo água contaminada por elementos nucleares, e cancerígenos, como o óleo ascarel, sem que ninguém tome providências. São cerca de quatro milhões de pessoas expostas a esses possíveis riscos.
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