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A tragédia em Medellín: a queda do avião com o time da Chapecoense

Vitor Vieira fala sobre a tragédia da queda do avião fretado do time de futebol da Chapecoense na Colômbia. Uma história que comove todo o mundo.

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Pilotos colombianos dizem que comandante do vôo revelou ter pouco combustível

A hipótese de falta de combustível como provável causa do acidente que vitimou o elenco da Chapecoense nesta terça-feira, em Medellín, ganha força. De acordo com a Rádio Caracol, da cidade colombiana, dois pilotos que pousavam no Aeroporto José María Córdova no mesmo momento revelaram, em conversa com repórteres, que o comandante do vôo fretado da Chapecoense alegou estar com pouco combustível. Segundo o diálogo reproduzido pela rádio, os problemas de pane seca “ficaram claros” assim que o pedido de prioridade para pouso foi feito. “Eles chegaram ao limite e não podiam demorar para pousar nem um pouco mais. A torre os colocou a suspender a rota normal de pouso a 21 mil pés. Eu vinha a 19 mil pés, e outro avião estava a 14 mil.

O piloto da Chapecoense perguntou se eu ia demorar e dois minutos depois avisou que estava com problemas de combustível. Em seguida, pediu, desesperado, que nós os deixássemos passar”, explicou o piloto. A torre de controle de Medellín recebeu o pedido de emergência e autorizou o pouso imediato, mas foi tarde. “Eles passaram o vôo para a frente, e o piloto disse que estava com total falha elétrica. Ele estava a 9 mil pés quando passou Rio Negro, sendo que deveria estar a 10 mil pés. Quando declarou emergência, era muito tarde. Deveria ter parado em Bogotá, mas preferiu ir direto a Medellín”, lamentou o comandante ouvido pela rádio.

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Pedido de Emergência de um Airbus A320 pode ter forçado voltas do desastrado avião Avro que matou o time da Chapecoense

A declaração do estado de emergência em uma aeronave Airbus sobre Medellín logo antes da queda do avião da Chapecoense pode ajudar a explicar o acidente que matou 71, na madrugada desta terça-feira (29). Instantes antes da queda da aeronave Avro RJ85 que transportava o time da Chapecoense, um Airbus da Viva Colômbia havia declarado emergência em seu vôo, segundo a associação de aviadores civis da Colômbia, e solicitado para a torre de Medellín a prioridade para descer no aeroporto da cidade. O avião da empresa colombiana havia saído da capital Bogotá em direção a San Andres, uma ilha no Caribe.
Não se sabe ainda o motivo que fez a tripulação desviar a rota e pousar em Medellín. A empresa nega o pedido de emergência, mas disse que o piloto desceu primeiro por ordem dos controladores de vôo do aeroporto colombiano. O Airbus conseguiu pousar em segurança, mas pode ter ajudado a forçar que o avião da Chapecoense rodasse no entorno de Medellín à espera de autorização para o pouso. O sistema de monitoramento FlightRadar mostra que as duas aeronaves passaram praticamente pelo mesmo ponto em um mesmo horário.
A simples espera do avião da Chapecoense em pleno vôo por si só não é perigoso. Existem procedimentos padrões para que uma aeronave voe em círculos enquanto aguarda liberação da pista. Segundo o FlightRadar, o piloto que levava o time brasileiro cumpriu este procedimento, mas inexplicavelmente, perdeu altitude e caiu em uma área montanhosa.
No meio da aviação especula-se se a capacidade de combustível da aeronave era suficiente para cumprir o trajeto entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Medellín, na Colômbia. Informações ainda preliminares apontam que os tanques de combustível da aeronave dão conta para uma viagem entre as duas cidades sem muita folga. Ou seja, é possível que a aeronave tenha tido problemas com a quantidade de combustível. As verdadeiras causas do acidente devem ser conhecidas após o fim das investigações, que podem durar meses.
O acidente ocorreu quando a aeronave se aproximava de Medellín, no noroeste da Colômbia. Segundo o aeroporto José María Córdova, na cidade de Rio Negro, onde a aeronave iria pousar, o acidente ocorreu em Cerro Gordo, no departamento de Antioquia. “Parece que o avião ficou sem combustível”, disse Elkin Ospina, prefeito da cidade de La Ceja, vizinho do local do acidente.

A única comissária de bordo que sobreviveu à queda do avião

9999_20161129t6ubzgXimena Suárez Otterburg, comissária de bordo da companhia aérea LaMia, foi a única mulher que sobreviveu à queda do avião que transportava a equipe da Chapecoense nesta terça-feira (29). Setenta e cinco pessoas morreram e apenas seis sobreviveram. Além da boliviana de 27 anos, só um membro da tripulação está entre os sobreviventes. Residente de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia (cidade de origem do voo), Ximena sofreu múltiplas fraturas nas pernas, braços e colo, mas seu quadro é estável. Sua mãe, Sara Otterburg, viajará nesta noite a Medellín para encontrar-se com a filha, que deve deixar a UTI no fim da tarde. Ximena, que namora desde agosto com o piloto peruano Raul Lopez, recebeu diversas mensagens carinhosas de conhecidos e desconhecidos em seu Facebook comemorando o milagre.

Piloto do Avro desastrado da Chapecoense era genro de senador boliviano asilado no Brasil

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O capitão Miguel Quiroga, que pilotava o avião que caiu na madrugada desta terça-feira na Colômbia, matando 75 pessoas, era genro do ex-senador boliviano Roger Pinto, asilado no Brasil desde 2013. Quiroga era um ex-oficial da Força Aérea Boliviana (FAB) e casado com uma das filhas do ex-senador. “Sempre viveu conosco, era um rapaz brilhante, mais um filho, um amigo”, disse Roger Pinto, com a voz embargada, ao falar sobre o marido da filha Daniela, com quem tinha um filho de 13 anos e duas filhas, de 9 e de três meses. A família do ex-senador vive no Brasil desde que ele saiu da Bolívia em 2013, em consequência de perseguição política movida pelo ditador índio cocaleiro trotskista Evo Morales, por ter denunciado supostos atos de corrupção em seu governo. O político chegou ao Brasil em agosto de 2013 após ficar um ano e meio refugiado na embaixada brasileira em La Paz e o conseguiu apoio de membros da delegação diplomática, que o ajudaram a cruzar a fronteira.

Encontradas as caixas-pretas do Avro desastrado que matou o time da Chapecoense na Colômbia

caixa-preta-chapecoense-20161129-024A Aeronáutica Civil da Colômbia encontrou na tarde desta terça-feira as duas caixas-pretas do avião Avro desastrado que matou o time da Chapecoense, que caiu na região de Medellín, No total, 75 pessoas morreram e seis sobreviveram. Os equipamentos registram dados do vôo e de voz do comandante e co-piloto e costumam ser cruciais para desvendar causas de acidentes aéreos, caso estejam preservadas e funcionando. A informação é de Alfredo Bocanegra Varón, diretor da Aerocivil que coordena o resgate e as investigações no cerro El Gordo, município de La Unión, em Antioquia. A Força Aérea da Colômbia, bem como outros órgãos de segurança aérea e resgate trabalham retroescavadeiras, ambulâncias e helicópteros no local. Ao todo, os cerca de 150 socorristas já removeram do local 72 corpos dos 75 mortos no acidente. Os seis sobreviventes – jogadores da Chapecoense, tripulantes e um jornalista – foram encontrados no terreno ao redor dos destroços. Eles passaram por atendimento em hospitais da região. Os corpos foram encaminhados para uma base da Força Aérea e depois para o Instituto Médico Legal de Medellín, capital da Antioquia. Do Brasil, parte um vôo da Força Aérea Brasileira nesta terça-feira com peritos da Polícia Federal e investigadores do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), servidores dos ministérios da Saúde, Itamaraty e do Esporte. Eles vão auxiliar na apuração das causas do acidente, perícia do local e reconhecimento dos corpos, além de prestar apoio à vítimas e familiares.

Sobreviventes estavam fora da fuselagem de avião da Chapecoense

21957667Os seis sobreviventes do acidente aéreo que matou a delegação da Chapecoense na região de Medellín, na Colômbia, foram encontrados pela equipe de resgate fora da fuselagem do avião. A informação foi confirmada pela equipe da Aeronáutica Civil (Aerocivil) colombiana, responsável pelo comando das investigações, e que está no local. Segundo o presidente colombiano Juan Manuel Santos, dois estão em estado grave. Na parte da fuselagem mais preservada após o impacto no solo foram encontrados 70% dos corpos.

Os outros 30% dos passageiros e tripulantes, entre eles os sobreviventes, estavam no terreno ao redor, o que sugere que teriam sido arremessados. Os destroços ficaram espalhados num raio de cerca de 500 metros, e a caixa-preta ainda não foi localizada. Segundo a Unidade Nacional para Gestão de Risco de Desastres, já foram resgatados mais de 50 corpos da zona de impacto.

O avião caiu no Cerro Gordo, uma região montanhosa de clima frio, no Estado de Antioquia, onde se cultivam flores para exportação e o mercado interno da Colômbia. O local fica entre os municípios de La Ceja e La Unión, a cerca de 40 quilômetros de Medellín. O avião da Lamia, empresa de origem venezuelana que operava da Bolívia, havia sido fretado pela Chapecoense para levar a equipe e jornalistas de Santa Cruz de La Sierra a Medellín.

O modelo britânico Avro RJ85, de matrícula CP2933, transportava 81 passageiros, dos quais 75 morreram. A aeronave tinha mais de dezessete anos de uso. A principal hipótese é de pane elétrica. A 40 quilômetros de distância do aeroporto de destino final era possível ver a olho nú a cidade de Medellin.

Avião desastrado que transportava time da Chapecoense é inglês e deixou de ser fabricado em 2001

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O único avião da companhia aérea boliviana Lamia, que transportava a delegação da Chapecoense, foi um dos principais jatos regionais das décadas de 80 e 90, mas já não era produzido desde 2002. De origem britânica, o Avro RJ85 nasceu como British Aerospace 146 e tinha uma configuração original, com asas altas e quatro pequenos motores turbofans sob as asas, além de capacidade para transportar de 70 a até mais de 100 passageiros.
Um dos seus diferenciais é justamente operar em pistas curtas, característica necessária em regiões com pouca infraestrutura aeroportuária ou mesmo montanhosa como o local da queda do avião. O exemplar que levava o time brasileiro para Medellín, na Colômbia, foi fabricado em 1999 e entregue originalmente para a companhia regional americana Mesaba.
Em 2007 foi repassado para a empresa irlandesa CityJet e chegou a voar com as cores da Air France. Em 2013, foi comprado pela Lamia para operar na Venezuela. No ano passado, ele passou a voar na Bolívia. Durante os 23 anos de produção foram fabricados 387 unidades do quadrirreator, mas a linha de montagem foi encerrada em 2001, época em que novos jatos como o brasileiro E190, mais econômicos e modernos, tornaram o modelo inglês caro de operar.
No Brasil, inclusive, o jato chegou a voar logo no início da carreira, na extinha companhia regional Taba, que operava na região amazônica, mas sofreu pelo calor e umidade do local e logo foi devolvido. No começo dos anos 90, a companhia Air Brasil, do grupo mineiro Líder Aviação, chegou a trazer ao País dois exemplares para início de operação, porém, o projeto acabou cancelado antes de chegar ao mercado.
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O único avião da companhia aérea boliviana Lamia, que transportava a delegação da Chapecoense, foi um dos principais jatos regionais das décadas de 80 e 90, mas já não era produzido desde 2002. De origem britânica, o Avro RJ85 nasceu como British Aerospace 146 e tinha uma configuração original, com asas altas e quatro pequenos motores turbofans sob as asas, além de capacidade para transportar de 70 a até mais de 100 passageiros.
Um dos seus diferenciais é justamente operar em pistas curtas, característica necessária em regiões com pouca infraestrutura aeroportuária ou mesmo montanhosa como o local da queda do avião. O exemplar que levava o time brasileiro para Medellín, na Colômbia, foi fabricado em 1999 e entregue originalmente para a companhia regional americana Mesaba.
Em 2007 foi repassado para a empresa irlandesa CityJet e chegou a voar com as cores da Air France. Em 2013, foi comprado pela Lamia para operar na Venezuela. No ano passado, ele passou a voar na Bolívia. Durante os 23 anos de produção foram fabricados 387 unidades do quadrirreator, mas a linha de montagem foi encerrada em 2001, época em que novos jatos como o brasileiro E190, mais econômicos e modernos, tornaram o modelo inglês caro de operar.
No Brasil, inclusive, o jato chegou a voar logo no início da carreira, na extinha companhia regional Taba, que operava na região amazônica, mas sofreu pelo calor e umidade do local e logo foi devolvido. No começo dos anos 90, a companhia Air Brasil, do grupo mineiro Líder Aviação, chegou a trazer ao País dois exemplares para início de operação, porém, o projeto acabou cancelado antes de chegar ao mercado.

A tripulação da companhia Lamia era de origem venezuelana. O Avro RJ85 não tinha um acidente fatal desde 2002, segundo o site Aviation Safety, sobre segurança aérea, mas a versão anterior, BAe 146, registrou três acidentes nos últimos três anos, com companhias do Leste Europeu e também na África. No total, há registro de 17 acidentes fatais.
infografico-avro-rj85-750x500A companhia Lamia surgiu na Venezuela em 2013 e operou uma pequena frota de aviões regionais até deixar de voar. No ano passado, ressurgiu na Bolívia apenas com o RJ85 de prefixo cP-2933 acidentado na noite do dia 28 de novembro. (Airway)

Só seis sobrevivem ao desastre do vôo que dizimou o time da Chapecoense

chapecoenseApenas três jogadores da Chapecoense que estavam no avião em que viajava o time catarinense sobreviveram: Alan Ruschel, lateral do time; Jackson Follman, goleiro; e Hélio Neto, zagueiro. O acidente deixou mais de 70 mortos. A Cruz Vermelha e a imprensa colombiana confirmaram que o goleiro Danilo não resistiu aos ferimentos. Ele estava na lista dos passageiros resgatados com vida após a tragédia.

A comissária de bordo Ximena Suárez, o jornalista brasileiro Rafael Henzel e o técnico da aeronave Erwin Tumiri também foram achados vivos. A maioria dos sobreviventes está hospitalizada em estado grave. Segundo a W Radio da Colômbia, o jogador Alan Ruschel teve uma ferida na cabeça e outra no braço e está no hospital San Juan de Deus. O seu estado de saúde é estável e ele deverá passar por novos exames.

Já o zagueiro Neto está em estado grave, de acordo com os médicos; o goleiro Jackson Follmann está no hospital San Vicente Rionegro com fratura de membros superiores e teve uma das pernas amputadas. Já o jornalista Rafael Henzel teve fratura na costela e trauma no tórax; e a comissária Ximena Suarez sofreu fraturas múltiplas e está na Clínica Somet. Não há informações sobre o estado de saúde do técnico Erwin Tumiri.

Henzel publicou em seu Facebook uma foto do momento em que os jogadores da Chapecoense se preparavam para decolar, já dentro do avião. E, também, registrou uma mensagem de Neto para os torcedores da Chapecoense no aeroporto de Guarulhos. Segundo a rede de TV colombiana “Teleantioquia” ele foi levado para o Hospital San Juan de Dios, mas não há informações sobre seu estado de saúde.

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  • Tataum

    Enquanto isso, a “primeira turma do STF decidiu libertar cinco médicos e funcionários de uma clínica de aborto de Duque de Caxias. Os ministros entenderam que aborto voluntário até o terceiro mês de gestação não é crime. A decisão não tem efeito vinculante, mas abre precedente inédito.” (O Antagonista 29/11/16 22:14)

  • Marcos Pereira

    Eu me pergunto porque o avião não foi para o Aeroporto de Medellin Juan Pablo já que o outro estava ocupado e ele ficou dando voltas sabendo que o combustivel tava na reserva?